Metades pressupõem uma divisão.
Significa que algo se partiu em dois pedaços.
Diante do espelho do banheiro, que no momento encontra-se na metade, de frente à repartição da minha sorte em 7 anos e de meus reflexos do duplicar de seres, constatei.
Somos metades.
Em um longínquo tempo, ou nem tanto assim, ouvi que a beleza dependia da simetria e que, quanto mais parecidos os lados, mais harmonia haveria.
Durante alguns anos, a informação latejou em minha mente e dentro dela passeava pelo ar, até que, enfim, cansou.
Dada sua fadiga, metades se entenderam como metades e a simetria do encaixe entre elas, apesar da dúvida, fez sentido.
Assim, dois pedaços de humano, separados ao meio e colados pelas desavenças, formaram-se.
Duas metades no fim, apesar de serem provenientes de origens e produtos iguais, não são semelhantes ao mínimo detalhe.
Ouso dizer que não mentirei, pois acredite ou não, negarei que isso as torna especiais, muito menos que há de fato a necessidade de encontrar sua metade no mundo.
Isso porque a verdade é clara.
Metades são a divisão do único em dois.
17.05.2021
A. Tiemi Yokoyama
______________________________________________________________________________________
Quiral é uma obra complementar ao texto "Métrica" presente na legenda da publicação anterior.
______________________________________________________________________________________
Quiral é uma obra complementar ao texto "Métrica" presente na legenda da publicação anterior.
.png)
Comentários
Postar um comentário